PINTURA BARROCA: leitura de imagem (A captura de Cristo, Michelangelo Merisi da Caravaggio, 1602)
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XIA - DANE Versailles
10. MUITOS PERSONAGENS EM UM MESMO PLANO:
As pinturas barrocas muitas vezes mostram muitos personagens no primeiro plano (na frente) e ocupando grandes espaços na composição. Isso causa a impressão de que as cenas representadas são vistas de perto pelo observador, como se ele também fizesse parte da imagem. Ao mesmo tempo, cada personagem é representado realizando uma ação distinta, retratado no meio de um movimento marcante, o que acentua a IMPRESSÃO DE MOVIMENTO causada pela pintura. Observe os personagem da “Captura de Cristo”: o que cada um deles parece estar fazendo? Clique na imagem no topo desta caixa de texto e veja-a ampliada. Clique novamente sobre a imagem para voltar à exibição normal.
9. DESCENTRALIZAÇÃO E ASSIMETRIA
Mesmo havendo três personagens de cada lado da imagem, o peso visual dos dois lados não é o mesmo. Atenção ao modo como os soldados de armadura compõem uma massa mais escura e visualmente pesada à direita, confundindo-se com o fundo da cena. Eles contrastam com a luminosidade e as cores dos personagens à esquerda. Para qual parte da pintura você olhou primeiro? Os dois grupos de pessoas não parecem “disputar” nossa atenção constantemente? Observe também que, mesmo ainda sendo o personagem mais importante, Jesus não está no centro do quadro. Clique na imagem no topo desta caixa de texto e veja-a ampliada. Clique novamente sobre a imagem para voltar à exibição normal.
1. ARTE EMOCIONAL:
Diferente do que aconteceu na arte do Renascimento, onde a RAZÃO foi mais valorizada, os artistas do período Barroco valorizavam a EMOÇÃO. Eles queriam comover as pessoas. Para isso, apelaram para a EMPATIA do observador, fazendo com que os personagens representados manifestassem emoções (medo, dor, raiva, tristeza, etc.) em seus gestos e nas suas expressões faciais. Desse modo, anjos, santos, deuses greco-romanos, heróis, dentre outros personagens, parecem mais humanos. Observe os rostos de Jesus e Judas. O que eles aparentam estar sentido? Clique na imagem no topo desta caixa de texto para ver os rostos de Jesus e Judas ampliados.
7. CONRASTES INTENSOS DE CLARO-ESCURO
Áreas muito iluminadas opondo-se a outras de sombreamento muito denso acentuam a impressão de TRIDIMENSIONALIDADE das pinturas barrocas. Pessoas e objetos parecem prestes a saltar da tela, projetando-se da escuridão que os esconde parcialmente, e tocar quem os observa. Esse contraste também pode ajudar a diferenciar a representação de materiais e texturas. Por exemplo: nas armaduras dos soldados as cores muitos escuras se destacam contra o brilho da luz refletida criando o efeito semelhante ao de um metal muito polido. Clique na imagem no topo desta caixa de texto e veja-a ampliada. Clique novamente sobre a imagem para voltar à exibição normal.
8. LUZ DIRECIONADA:
Enquanto a pintura renascentista iluminava suas cenas de maneira mais “naturalista” (de cima para baixo, imitando o efeito da luz do sol sobre os corpos e os objetos), na pintura barroca a luz é projetada sobre cada corpo e objeto em ângulos variados, para destacá-los melhor. Essas luzes são intensas e direcionadas, com focos reduzidos, mais semelhantes a uma iluminação artificial (obtida por meio de velas, fogueiras, lamparinas, etc.). Resultam em forte apelo TETRAL e DRAMÁTICO. Porém, nem sempre a luz provém de uma fonte identificável. Às vezes, parece emanar dos próprios corpos representados, conferindo às imagens certo ar sobrenatural e divino. Clique na imagem no topo desta caixa de texto e veja-a ampliada. Clique novamente sobre a imagem para voltar à exibição normal.
2. PREDOMÍNIO DE DIAGONAIS:
A pintura barroca buscou transmitir impressão de DINAMISMO, MOVIMENTO, INSTABILIDADE e AGITAÇÃO. Uma das maneiras de alcançar essas ideias foi pela organização dos objetos e pela escolha de poses e gestos marcados pela sugestão de linhas diagonais (inclinadas). Podemos observar esse tipo de escolha na posição dos braços e dos dedos entrelaçados de Jesus nesta pintura, no braço erguido do homem que aparece mais a direita da cena, e também nos braços abertos e levantados do personagem que foge pelo lado esquerdo. Clique na imagem no topo desta caixa de texto e veja-a ampliada. Clique novamente sobre a imagem para voltar à exibição normal.
4. TEATRALIDADE:
Nas pinturas barrocas as imagens são comumente construídas de modo a oferecer a quem as observa o ponto de vista mais impactante. Os personagens e os objetos são representados em seus ângulos e poses mais exagerados. São escolhidos os episódios mais dramáticos de uma narrativa (passagem bíblica, vidas dos santos, mitos greco-romanos, etc.). Todas essas escolhas visuais e temáticas resultam em uma pintura que nos dá a impressão de que seus elementos foram “capturados” a partir do ponto de vista mais intenso, de maneira a provocar reações emocionais mais fortes no público e, desse modo, cativá-lo. Clique na imagem no topo desta caixa de texto e veja-a ampliada. Clique novamente sobre a imagem para voltar à exibição normal.
3. CORES INTENSAS E CONTRASTENTES:
As cores da pintura barroca são vivas e chamativas, destacam-se contra a escuridão do plano de fundo e as sombras acentuadas. É comum o uso de cores complementares (vermelho e verde, azul e laranja) como maneira de distinguir os personagens uns dos outros e deixar explícito quem está na frente e quem está mais ao fundo da cena. Clique na imagem no topo desta caixa de texto e veja-a ampliada. Clique novamente sobre a imagem para voltar à exibição normal.
5. ESCORÇO:
Os corpos dos personagens são representados com membros mais longos ou mais curtos (até mesmo com partes totalmente ocultas) para acentuar as ideias de PROFUNDIDADE, DISTÂNCIA e TRIDIMENSIONALIDADE da cena. Observe a mão do personagem a esquerda. Podemos ver somente três dedos, mas presumimos a existência dos outros dois, que permanecem ocultos pelas sombras. Clique na imagem no topo desta caixa de texto e veja-a ampliada. Clique novamente sobre a imagem para voltar à exibição normal.
6. FUNDO ESCURO:
Na pintura RENASCENTISTA o artista utilizava paisagens e elementos arquitetônicos (arcos, pontes, tores, etc.) para localizar geograficamente as cenas representadas. Geralmente trabalhava com até três planos na organização visual de uma cena: o primeiro plano era ocupado pelos personagens e temas centrais da pintura, o segundo plano apresentava o lugar em que a cena acontecia e o terceiro plano mostrava a linha do horizonte, acentuando a noção de profundidade de imagem. Já na pintura BARROCA é comum encontrarmos imagens com somente dois planos: o primeiro, onde acontece a ação retratada e o segundo plano, muitas vezes somente um fundo escuro e liso. Essa redução dos planos ajuda a não desviar a atenção do observador do assunto da pintura e confere às obras barrocas uma aparência teatral (como se os personagens fossem atores em um palco, atuando para o espectador sob focos de luz que iluminam somente o essencial para que que imagem seja compreendida). Clique na imagem no topo desta caixa de texto e veja-a ampliada. Clique novamente sobre a imagem para voltar à exibição normal.